
Por Rodrigo C. Furlan
Analista de Criação e Desenvolvimento na A&P Publicidade
O homem vive diariamente imerso em um percurso triádico, composto pela realidade, os símbolos e a sociedade, na qual, além de ser interferido, interfere.
Confira também no blog da A&P Publicidade:Estudo da semiótica em textos
Exemplo dessa interferência, para entendermos tal relação, são os simulacros, que nascem a partir da criação de representações humanas do real e que, na verdade, não é a realidade.
Hoje, decidi falar sobre como os simulacros afetam nossa percepção de realidade, o que abre diversas portas para a criação publicitária. Confira!
O que é real?
A realidade é desconhecida ao ser humano quando entendemos a semiologia do mundo e das relações, lugar onde tudo tem multilado, multiverso, multi-interpretação. Aqui, encontramos a multirrealidade, e, como Jean Baudrillard dizia, dela deriva-se o real, uma parcela aceitável, mais “certa” de se existir no processo interpessoal até onde chegamos hoje.
Mas por quê? Porque os símbolos têm mais valor na nossa sociedade do que a própria possível realidade. Quanto a essa última, apenas a imaginamos e a reimaginamos a partir da combinação frenética e inata das interferências da mídia.
Simulado e simulacro
Se pensarmos assim, o que escolhemos, onde trabalhamos, o que vestimos, tudo é um verso das possibilidades reais que temos, não existindo em nosso meio, então, a realidade. Por esse pensamento, se o que vivemos não é a realidade, podemos então chamá-lo de simulado, que é uma réplica perfeita de algo existente no real.
É nesse terreno que nasceram os simulacros, filhos pós-internet que representam elementos que não existem ou já deixaram de ter vestígios no real (lembre-se aqui que o real já é uma representação de parcelas da realidade, não sendo ela por inteira).
Sabe o que de mais valioso os estudos dos simulacros nos trazem? A liberdade, principalmente criativa. Em nossa atual concepção e entendimento da vida, não necessitamos mais do real, os símbolos e signos nos atraem e satisfazem de igual ou até maior forma.
Assim, os limites para propaganda, roteiros, eventos alternativos, para a moda, são praticamente inexistentes, havendo público-alvo para todos os nichos, e, melhor ainda, um público aberto a se encantar e ser atraído por criações que variam da simplicidade ao extremo kitsch.
Que saber mais sobre o uso das noções de simulado e simulacro? Então recomendo que conheça o trabalho de Jean Baudrillard, inspirador e criativo ao utilizar da linguagem irônica para o detalhamento, a distinção e as proximidades entre o real e a realidade.
Mas se você prefere o audiovisual à leitura, deixo também algumas indicações de produtos midiáticos (filmes) inspirados no tema:
- O Show de Truman (1998);
- a série Matrix (1999);
- os filmes de Quentin Tarantino.
Confira também no blog da A&P Publicidade: Estudo da Semiótica em imagens